Como tudo começou

Estudar, ingressar num bom curso numa boa universidade, arrumar um bom emprego, comprar sua casa própria, constituir família, trabalhar até se aposentar e ter uma velhice saudável e tranquila. Querendo ou não este é o caminho que muitas pessoas seguem ou gostariam de seguir em suas vidas.

Confesso que por muito tempo este também foi o meu modo de ver o mundo, pois como a maioria dos brasileiros, não nasci em uma família rica. Pelo contrário, meus pais eram ambos professores e vivíamos um período de dificuldade econômica, principalmente na década de 90, e portanto, cresci com a consciência que eu precisava fazer a minha parte.

Com todo apoio da família fui lá e fiz o meu dever de casa: ingressei no curso de engenharia elétrica na Universidade Federal do Espírito Santo e no curso de eletrotécnica no CEFETES (agora IFES) simultaneamente. Investi pesado nessa escolha, pois realmente queria seguir uma carreira neste ramo.

Mas no meio do caminho algumas coisas mudaram. Com o passar do tempo fui percebendo que aquele estilo de vida, horas extras e sem hora pra voltar pra casa, não era algo que eu queria para sempre, e paralelamente algumas perdas de pessoas próximas me fizeram refletir se realmente valia a pena eu sacrificar a melhor fase da minha vida neste mundo em busca de uma carreira e reconhecimento profissional.

Mesmo assim cumpri com minha obrigação e me formei em engenharia elétrica, e no embalo do momento surgiu uma oportunidade que eu não poderia recusar: um emprego offshore numa multinacional petrolífera! Em menos de dois meses de formado eu estava trabalhando em uma das empresas mais conhecidas no ramo de petróleo e gás do mundo, a Halliburton.

Um novo mundo de descobertas, como experiência o mundo do petróleo foi no mínimo muito interessante. Lá tive a oportunidade de desenvolver minhas habilidades como engenheiro e juntar uma boa grana, mas com a experiência vem a responsabilidade, e em um ano e meio de empresa eu me tornei aquilo que eu tanto tinha medo: um escravo do meu trabalho!

Como trabalhava embarcado sem escala fixa não podia planejar nada em minhas folgas, pois precisava estar com meu celular ligado todo o tempo e disponível para trabalhar a qualquer momento. Era só voltar pra casa e a tensão começava: cada dia que meu telefone de trabalho não tocava era considerada uma vitória.

Enquanto isso a vida continuava, sem poder fazer nenhum plano com a namorada ou amigos, e os bens materiais que eu adquiri nesse tempo não me satisfaziam. Após quase dois anos de trabalho vieram as primeiras férias, e com ela um mochilão pela América do Sul. Depois dessa experiência minha cabeça começou a mudar…

Um ano mais tarde, menos de um mês para tirar férias novamente e partir para outro mochilão, eu recebi uma notícia que mudou meus planos: com a crise da Petrobras eu não seria mais necessário na empresa e teria de ser demitido!

Com a cabeça erguida fui para o meu segundo mochilão, onde conheci pessoas que viajavam por vários países morando e trabalhando para manter o sonho de viajar vivo. Ao retornar ao Brasil eu estava sem emprego e vivendo uma vida que não funcionava mais pra mim. Para muitas pessoas isso seria o fim do mundo, mas para mim foi o começo dele!

E foi assim que cheio de vontade de calçar minha bota, por minha mochila nas costas novamente e partir em busca de uma nova aventura por ai eu larguei tudo pra trás no Brasil e no dia 6 de abril de 2014 eu parti sem passagem de volta para a Nova Zelândia: vendi minha moto, meu carro e desisti dos meus investimentos para realizar o sonho de viajar pelo mundo como um nômade em busca dos meus objetivos!

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