Christchurch: Uma cidade em ruínas

Fundada em 1848 por imigrantes britânicos e oficializada como a primeira cidade do país em 1856, Christchurch se tornou a cidade mais importante da Ilha sul da Nova Zelândia devido à sua importância econômica na região, mas acontecimentos ocorridos em 2010 e 2011 mudariam a história da cidade para sempre.

Christchurch é a maior cidade da Ilha Sul da Nova Zelândia e a terceira maior região metropolitana do país, com cerca de 360 mil habitantes, ficando atrás dos centros urbanos de Auckland e Wellington. Por muito tempo considerada uma cidade com ótima qualidade de vida no país, Christchurch poderia ser mais uma grande cidade no mundo, caso a natureza não tivesse uma surpresa tão trágica para ela.

Em 4 de Setembro de 2010, às 4:35 da manhã, um terremoto com uma magnitude de 7.1 com epicentro próximo a Darfield, 10 Km a oeste de Christchurch, atingiu a cidade. Algumas residências e partições públicas foram danificadas, mas não houve nenhuma fatalidade.

Quase 6 meses depois, em 22 de Fevereiro de 2011, outro terremoto abalou as estruturas da cidade, mas dessa vez os impactos foram muito maiores. Com epicentro em Lyttelton, um dos bairros da cidade, numa profundidade de 5 Km e escala de 6.3, o segundo terremoto destruiu significativamente boa parte da cidade, principalmente o centro, e causou a morte de 185 pessoas. Outros terremotos ocorreram mais tarde naquele ano, destruindo ainda mais as construções já abaladas, mas nenhuma vida foi perdida.

Ao se caminhar pela cidade é possível notar os efeitos causados pelos vários terremotos ao longo dos últimos anos. Mais de 1000 prédios no centro da cidade já foram demolidos após serem condenados, e muitos outros ainda aguardam avaliações para que tenham o mesmo destino.
christchurch nova zelandia

De todas as ruínas encontradas, a mais marcante é a Catedral de Christchurch, localizada no coração da cidade. Considerada símbolo de Christchurch devido à sua arquitetura e localização, Christchurch Cathedral foi uma das construções mais abaladas com os terremotos de 2010 e 2011. Hoje a Catedral aguarda uma última decisão da Justiça para saber seu destino: se será demolida ou reconstruída.

Com o medo instalado na população após os choques, muitos moradores deixaram a cidade, mas a reconstrução da cidade atraiu e continua atraindo trabalhadores do mundo todo. São muitas vagas de emprego na construção sendo ofertadas diariamente, e muitas vezes se exige pouca ou nenhuma experiência.
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Com essa alta demanda de profissionais na reconstrução de Christchurch, a cidade se tornou um canteiro de obras a céu aberto. Obras em andamento e construções em reparo são encontradas em todas as esquinas, e ruas e vias no centro da cidade têm seu sentido alterado ou são interditadas constantemente.

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Fora do centro, bairros como Lyttelton, New Brighton e Avondale foram os mais afetados pelos terremotos. Em Avondale, um bairro residencial, todas as casas foram praticamente condenadas e aguardam ser demolidas. Algumas das casas aparentam estar intactas e aptas a ser habitadas, enquanto outras nem tanto. De qualquer forma, tem-se uma sensação de que se está em uma cidade fantasma ao se caminhar nas ruas do bairro.
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O futuro é incerto, afinal foram mais de 4600 terremotos com magnitude acima de 3 nos últimos 5 anos, e há estudos que apontam uma série de grande choques nos próximos 50 anos, mas aqueles que ficaram trabalham duro juntos aos novos moradores, buscando reconstruir a tão amada cidade e vê-la novamente assim como nos dias de seu auge.

Mas nem tudo é tristeza em Christchurch. Apesar de não oferecer uma qualidade de vida e vida noturna como antigamente, a cidade, uma vez conhecida na Nova Zelândia como “A cidade dos Jardins” ainda conta com ótimos parques como o Hagley Park e Botanical Gardens, ambos gratuitos e dentro do perímetro central da cidade.

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Uma boa opção para quem quer fugir das obras e o caos urbano é fazer uma visita à Banks Península, que fica anexa à Christchurch. A península, que na verdade é um vulcão adormecido, parece que parou no tempo, com estradas de chão ligando as pequenas vilas à Christchurch, e as pessoas levam a vida de uma forma leve e sem pressa, como se não houvesse amanhã.
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De colonização francesa e inglesa, a charmosa vila de Akaroa é sem dúvida o centro urbano mais desenvolvido da península, com casas coloniais, um ótimo mercado de peixes e até a possibilidade de ver (ou até mesmo nadar com) alguns golfinhos curiosos.

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