Era uma Casa muito engraçada

Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada

Quem nunca ouviu essa famosa música de Vinícius de Moraes quando era criança e imaginou como seria uma casa como a da música? Em meus 10 meses morando na Nova Zelândia eu tive a oportunidade de morar em uma única casa, que assim como a música, era uma casa muito engraçada!

Ao contrário da música, essa casa tinha teto, chão, parede e até penico, mas tinha também as paredes inclinadas, a melhor vista da cidade e nenhum isolamento térmico para o inverno. A casa não ficava na Rua dos Bobos Número Zero, mas ficava logo ali em cima do Holiday Park desativado em Queenstown, isolada das casas vizinhas e acessada por uma estrada de chão dentro da mata no final da rua.

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Fui parar nessa casa por acaso em uma festa em agosto de 2014, quando estava fazendo minha road trip de 5 meses pela Nova Zelândia, e após meu amigo e parceiro de viagem conseguir atolar o nosso carro numa ribanceira, eu tive o sofá oferecido até resgatar o carro. Esses dias se tornaram quase duas semanas, e nesse tempo eu criei uma amizade tão forte com as pessoas que ali moravam que eu recebi o convite para morar lá em setembro daquele ano.

De volta em setembro e com o Working Holiday Visa em mãos, passei a ter meu próprio quarto na casa, um emprego na cidade e mais novos amigos. Dois meses depois aquelas pessoas que foram o motivo de eu ter ficado na casa foram embora, e de repente, me tornei o responsável por ela.

Hospedamos mais de 70 pessoas pelo Couchsurfing durante os 10 meses ali vividos, pessoas estas de várias nacionalidades, diferentes backgrounds, crenças e culturas. Cozinhar uma refeição com nossos convidados era a principal forma de dividir nossas histórias e ter um bom tempo juntos, e as paredes da casa eram como um troféu, cheio de cartas e referências deixadas pelos couchsurfers agradecendo pela estadia e pelos bons momentos vividos ali.

era uma casa muito engraçada

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Além dos hóspedes, a casa também estava cheia de amigos, principalmente no verão. Churrascos e festas com direito a fogueira para espantar o frio era o que não faltavam. Em cada festa apareciam pessoas diferentes, amigos de amigos de amigos e assim vai, mas havia sempre uma energia muito boa, regada a bons papos e altas risadas. A trilha de mountain bike que liga a Skyline Gôndola ao centro da cidade e passa bem do lado da casa também tinha sua contribuição de alegrias, principalmente quando alguém caia bem próximo à varanda.

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Por falar em varanda, já comentei sobre a vista? Era comum ouvir a expressão “WOW” da boca de cada pessoa que visitava a casa pela primeira vez. A vista do lago Wakatipu e montanhas que circundam Queenstown é simplesmente fenomenal! Segurança? A porta da casa estava sempre aberta e a única vez que vi as chaves foi quando fui devolver a casa à imobiliária que a alugou.

era uma casa muito engraçada

Foram bons momentos vividos nesta casa, mas acredito que a vida é feita de ciclos, e este é mais um que acaba para que outro possa ser iniciado. Assim parto de Queenstown e da casa que me trouxe tantas alegrias, mas tenho certeza que as lembranças vividas ali ficarão na minha memória para sempre!

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