É seguro viajar na Papua Nova Guiné?

A Papua Nova Guiné está sempre na lista de países mais perigosos do mundo, com casos veículados de gangues armadas amarrando e sequestrando pessoas, estupros em plena luz do dia, violência contra mulher e até mesmo canibalismo. Algumas destas manchetes de jornal já provaram ser falsas, mas afinal, é seguro viajar na Papua Nova Guiné?

Porque tanta violência?

Ocupado por várias tribos há centenas de anos, o território que compõe hoje a Papua Nova Guiné foi, e ainda é, historicamente marcado por diferenças culturais, crença em magia negra e disputas tribais por prestígio e território. Junte isso a uma colonização tardia feita por várias nações (Inglaterra, Holanda, Alemanha e Austrália) que nunca tiveram muito interesse no país devido à falta de recursos naturais evidentes, mas que recentemente se tornou centro de investimentos  com descobertas de petróleo, gás natural e ouro (sim, ouro!). Some tudo isso e você terá uma bomba prestes a explodir a qualquer momento!

A vida na Papua Nova Guiné não mudou muito desde a pré-história, afinal 87% da população ainda é considerada rural, mas as poucas mudanças introduzidas pela ocidentalização trouxeram consequências significativas para o país. Analisando o que acontece na maior cidade e também a capital da Papua Nova  Guiné, Port Moresby, é possível entender o que acontece no país como um todo.

Port Moresby, que constantemente está em primeiro lugar na lista entre as piores cidades do mundo para se viver, é onde muitos papuásios migram em busca de um emprego e vida moderna, semelhante ao êxodo de nordestinos para São Paulo. Com suas ruas e muros cobertos de betel nut  mascado em manchas vermelhas que se assemelham a sangue, a capital logo mostra sua verdadeira face: vida muito difícil, falta de empregos e uma das economias mais abusivas do mundo.

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As ruas de Port Moresby não são tão caóticas quanto se imagina, mas nem pense em passear por elas à noite!

A consequência disso tudo é bem previsível e familiar para muitos brasileiros: pessoas desempregadas e ociosas sem ter onde morar, formando verdadeiras favelas no entorno da cidade. Muitos retornam para a pacata vida em sua vila, mas aqueles que persistem são facilmente aliciados para o crime como forma de sobreviver ao caos imposto pela desestruturada vida urbana no país. O mesmo acontece em Lae e aos poucos vai acontecendo também em Madang e Wewak.

Na verdade,  as violentas tradições tribais aliadas à falta de oportunidades e alcoolismo tem causado grandes impactos na vida dos papuásios!

A violência pelos olhos da mídia

Não é de hoje que a mídia (principalmente australiana) massacra a Papua Nova Guiné com chocantes notícias de roubo, morte, estupro, violência contra mulher, canibalismo, bruxaria e conflitos tribais armados. Notícias como mulher sendo vítima de violação coletiva, grupo atacado e torturado durante trilha em floresta remota, várias pessoas mortas em violenta disputa tribal e mulher acusada de bruxaria é morta a machadadas trazem a ideia de que se o inferno realmente existe, as portões estão bem abertos lá na Papua Nova Guiné.

O jornalista inglês Ross Kemp gravou no país um dos episódios do seu documentário Extreme World, mostrando os conflitos existentes e casos de violências que acontecem no país. O vídeo é extremamente focado em violência e em algumas partes, como o vídeo abaixo, chega a ser, digamos, “aquilo que querem que você saiba”.

Em meio a tanta violência, as perguntas são: Até onde isso é verdade? Até onde essa violência pode afetar quem planeja viajar pelo país?

O que acontece na prática?

A violência pode estar em todo canto na Papua Nova Guiné, mas a verdade é que a situação lá não é tão ruim quanto se imagina.

Em cidades grandes, por exemplo, os maiores crimes acometidos são furtos à carteiras e telefones celulares, tudo sem uso de armas. A situação se agrava ao escurecer, quando não há muito patrulhamento nas ruas e os criminosos, conhecidos no país como Raskols, costumam sair com seus facões em punho em busca de possíveis vítimas. Trilhas de longos dias famosas entre turistas estrangeiros raramente são  alvo dos Raskols. Tudo feito sem muita sofisticação ou organização.

Pequenos barcos de passageiros as vezes são saqueados por Raskols ou piratas nas proximidades da foz do rio Sepik. As famosas vans de passageiros também podem ser alvo dos Raskols quando as mesmas circulam por áreas mais perigosas das grandes cidades.

Os tradicionais e violentos conflitos tribais por terra nos quais muitos papuásios perdem suas vidas é parte do dia a dia de muitas tribos das Highlands, mas não dizem respeito à estrangeiros. Bruxaria ainda é um tabu em vilas remotas na Papua Nova Guiné, pois muitos ainda acreditam na magia negra como causa de doenças, pestes e infortúnios. Quando há suspeita de bruxaria em alguma dessas vilas, as pessoas costumam “caçar” o bruxo responsável, e mais uma vez isso também exclui o visitante estrangeiro.

De volta à questão inicial: É seguro viajar na Papua Nova Guiné?

Apesar de tanta violência e imagem ruim, a Papua Nova Guiné é sim um país seguro para se viajar! Pode parecer loucura contradizer tantas notícias negativas, mas a Papua Nova Guiné é uma nação em desenvolvimento com seus problemas como qualquer outra,  sendo necessário apenas muito bom senso e algumas dicas para se viajar por lá:

  • Se você não estiver em alguma vila ou zona rural, esteja em casa (ou seu quarto de hotel/hospedagem) antes do anoitecer. Acredite, não é uma boa ideia estar na rua à noite!
  • Ser estrangeiro na Papua Nova Guiné já é chamar atenção demais, por isso não mostre nada que não deve ser visto. Câmeras, carteiras, celulares e outros objetos que possam ser novidade para os papuásios devem ficar bem guardados e seguros em bolsas.
  • Andar sozinho pode ser um problema em determinadas poucas áreas. O ideal é ter a companhia de algum local, o que faz você ser mais respeitado aonde for. Tenha sempre um grupo grande ao fazer trilhas em zonas afastadas conhecidas por problemas no passado, mais gente significa mais segurança.
  • Álcoolismo é um sério problema no país, e várias situações podem ir de pacíficas a perigosas quando o consumo excessivo é envolvido. Os papuasis não têm costume de beber e quando o fazem perdem a pouca noção de sociedade que têm. De uma forma geral, evite estar por perto quando estiverem bebendo.
  • Conflitos tribais, acusações de bruxaria e violência doméstica dificilmente incluem estrangeiros, portanto não esteja perto ou interfira nestes assuntos. A polícia, além de mal treinada e mal equipada, nada irá fazer nestes casos pois tudo é considerado cultural e aceitável. O canibalismo não acontece há muitos anos e hoje é considerado extinto.
  • Usar transportes públicos e caminhar pelas ruas é normalmente seguro desde que se saiba onde se está indo. O ideal é se informar com os locais sobre recentes problemas na sua rota. Se alguém lhe disser que não é seguro viajar em determinada estrada ou rio, é melhor acreditar!

Mas o que faz a Papua Nova Guiné ser um país seguro para se viajar é aquilo que o país tem de mais importante: seu povo! Os papuásios são extremamente amigáveis e prestativos, e não pensarão duas vezes em te aceitar na família deles, oferecer o que têm de melhor para te acomodar e fazer companhia (ou escoltar) onde quer que você vá.
Talvez a dica mais importante de todas é: seja sempre simpático, interaja com os locais, converse com as pessoas, faça amizades e viva como eles. Só assim você terá uma compreensão total de uma das culturas mais intactas do mundo sem nenhum tipo de preconceito, e consequentemente irá se mover pelo país sem problemas e com a proteção de todos.
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